O que é bonito
É o que persegue o infinito
Mas eu não sou
Eu não sou, não...
Eu gosto é do inacabado
O imperfeito, o estragado que dançou
O que dançou...
Eu quero mais erosão
Menos granito
Namorar o zero e o não
Escrever tudo o que desprezo
E desprezar tudo o que acredito
Eu não quero a gravação, não
Eu quero o grito
Que a gente vai, a gente vai
E fica a obra
Mas eu persigo o que falta
Não o que sobra
Eu quero tudo
Que dá e passa
Quero tudo que se despe
Se despede e despedaça
O que é bonito...
quarta-feira, 12 de maio de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
aulas de Inglês
There, there, I got tired of selling books, now I´m going to teach english, oh what adventure...
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Amar dói muito
Amar dói muito,
entope as veias,
tira o ar,
paralisa o tempo.
Amar dói nas pernas e
nos braços, desconjunta
a individualidade e
tira a razão.
Amar é primeiro crer
no amor e no fim o
resto é o resto,
e eu faço aqui um
protesto contra o amor,
porque amar meu amigo,
amar dói muito.
Rubenso Ramalios
entope as veias,
tira o ar,
paralisa o tempo.
Amar dói nas pernas e
nos braços, desconjunta
a individualidade e
tira a razão.
Amar é primeiro crer
no amor e no fim o
resto é o resto,
e eu faço aqui um
protesto contra o amor,
porque amar meu amigo,
amar dói muito.
Rubenso Ramalios
Poesia
Comigo me desavim
Sou posto em todo o perigo
Nao posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.
Com dor da gente fugia;
Antes que esta assi crecesse;
Agora já fugiria
De mim se de mim pudesse.
Que meo espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim.
Sá Miranda
Sou posto em todo o perigo
Nao posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.
Com dor da gente fugia;
Antes que esta assi crecesse;
Agora já fugiria
De mim se de mim pudesse.
Que meo espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim.
Sá Miranda
Em meu ofício ou arte taciturna
Em meu ofício ou arte taciturna
Exercido na noite silenciosa
Quando somente a lua se enfurece
E os amantes jazem no leito
Com todas as suas mágoas nos braços,
Trabalho junto à luz que canta
Não por glória ou pão
Nem por pompa ou tráfico de encantos
Nos palcos de marfim
Mas pelo mínimo salário
De seu mais secreto coração.
Escrevo estas páginas de espuma
Não para o homem orgulhoso
Que se afasta da lua enfurecida
Nem para os mortos de alta estirpe
Com seus salmos e rouxinóis,
Mas para os amantes, seus braços
Que enlaçam as dores dos séculos,
Que não me pagam nem me elogiam
E ignoram meu ofício ou minha arte.
Dylan Thomas
Exercido na noite silenciosa
Quando somente a lua se enfurece
E os amantes jazem no leito
Com todas as suas mágoas nos braços,
Trabalho junto à luz que canta
Não por glória ou pão
Nem por pompa ou tráfico de encantos
Nos palcos de marfim
Mas pelo mínimo salário
De seu mais secreto coração.
Escrevo estas páginas de espuma
Não para o homem orgulhoso
Que se afasta da lua enfurecida
Nem para os mortos de alta estirpe
Com seus salmos e rouxinóis,
Mas para os amantes, seus braços
Que enlaçam as dores dos séculos,
Que não me pagam nem me elogiam
E ignoram meu ofício ou minha arte.
Dylan Thomas
terça-feira, 3 de março de 2009
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
pensamento
As coisas dentro de mim falam
por si sós,
calam palavras e sobressaem-se no silêncio;
elas têm vida própria...
por si sós,
calam palavras e sobressaem-se no silêncio;
elas têm vida própria...
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Correspondances
IV Correspondances
La Nature est un temple où de vivants piliers
Laissent parfois sortir de confuses paroles;
L'homme y passe à travers des forêts de symboles
Qui l'observent avec des regards familiers.
Comme de longs échos qui de loin se confondent
Dans une ténébreuse et profonde unité,
Vaste comme la nuit et comme la clarté,
Les parfums, les couleurs et les sons se répondent.
Il est des parfums frais comme des chairs d'enfants,
Doux comme les hautbois, verts comme les prairies,
- Et d'autres, corrompus, riches et triomphants,
Ayant l'expansion des choses infinies,
Comme l'ambre, le musc, le benjoin et l'encens,
Qui chantent les transports de l'esprit et des sens.
Charles Baudelaire - Les fleurs du mal.
La Nature est un temple où de vivants piliers
Laissent parfois sortir de confuses paroles;
L'homme y passe à travers des forêts de symboles
Qui l'observent avec des regards familiers.
Comme de longs échos qui de loin se confondent
Dans une ténébreuse et profonde unité,
Vaste comme la nuit et comme la clarté,
Les parfums, les couleurs et les sons se répondent.
Il est des parfums frais comme des chairs d'enfants,
Doux comme les hautbois, verts comme les prairies,
- Et d'autres, corrompus, riches et triomphants,
Ayant l'expansion des choses infinies,
Comme l'ambre, le musc, le benjoin et l'encens,
Qui chantent les transports de l'esprit et des sens.
Charles Baudelaire - Les fleurs du mal.
domingo, 26 de outubro de 2008
Exposição de Marcel Duchamp no MAM de São Paulo
A exposição das "obras" do artista plástico francês Marcel Duchamp no MAM de São Paulo pareceu bem animada. Notem que muitas pessoas não sabiam o que faziam lá ou nem mesmo conheciam bem Duchamp. A primeira entrevistada diz que o interessante é que a maioria das obras é réplica. O entrevistador diz então: e se eu te der uma réplica de uma nota de 50 reais? aí ela responde: Ah, mas aí não é uma obra de arte! Isso é bem questionável, principalmente se tratando da exposição em pauta, pois o próprio Duchamp fazia cheques o os preenchia com valores e isso se tornou uma de suas obras de arte assinadas por ele. A segunda entrevistada quando é perguntada sobre o valor da "fonte" diz: Ah, milhões de dólares!! Nesse momento o apresentador brinca dizendo que passou em uma loja no dia e viu uma igual por 70 reais, então ela diz pra ele: Ah, mas não foi feita por ele!! Eu digo então: Nem a que está ali foi feita por ele e não é por se tratar de uma réplica, é porque a original também não foi. Mas aí caímos em um outro problema que é o seguinte raciocínio: Quando diz-se que algo não é uma obra de arte porque não foi feita por esse ou por aquele artista, pressupõe-se ulteriormente que, toda produção feita pelo artista tenha de ser necessariamente uma obra de arte, sendo que toda obra de arte tem de ser feita pelo artista, mas o contrário nem sempre é verdadeiro, mas antes de debater conceitos judicativos sobre a arte e até aonde ela vai continuemos nosso passeio. Quando o entrevistador define para uma entrevistado bem brabo o significado da exposição inteira em duas palavras e diz: Mona Lisa, é chamado de burro. Pois é, o que eles querem ver mesmo é roda de bicicleta em cima de banco!!! Estão precisando de um banho realmente de arte, só tomara que não queiram se banhar na "fonte"! Arte neles"!!!
LE GRAND PUBLIC NE S´INTERESSE PAS A L´ ART CONTEMPORAIN
A idéia apreendida e repetida na obra de arte só pode dizer algo a alguém de acordo com a medida do seu próprio valor intelectual[...]
O conceito, por mais útil que seja para a vida, e por mais usado, necessário e proveitoso que seja na ciência, é no entanto enternamente infrutífero para a arte. A verdadeira e única fonte de qualquer obra de arte é a Idéia apreendida. Esta, em sua originalidade vigorosa, é haurida apenas da vida mesma, da natureza, do mundo, pelo gênio autêntico ou por quem se entusiasma instanteneamente até a genialidade[...]
Por sua vez, imitadores, maneiristas, imitatores, servum pecus procedem na arte a partir do conceito.[...]
Entremente, tais obras maneiristas encontram com freqüência, e rapidamente, a aprovação sonora dos contemporâneos, pois estes, isto é, a grande maioria obtusa, só podem conceber conceitos e se apegam a eles. Contudo, após alguns anos, tais obras já são inapreciáveis, visto que o espírito da época, ou seja, os conceitos imperantes, nos quais elas se enraizam, mudaram. Apenas as obras autênticas eternamente joviais e com o vigor originário, pois não pertencem a idade alguma, mas à humanidade[...]
Esses indivíduos que aparecem sucessivamente estão por inteiro sozinhos, visto que a massa e a multidão da posteridade sempre será e premanecerá tão perversa e obtusa quanto a massa e a multidão de todos os tempos.
Arthur Schopenhauer - Livro II - capítulo 49 - O mundo como vontade e como representação
Encontramos no pensamento de Schopenhauer a afirmação de que quando nos deparamos com a obra de arte, esse é um momento de supressão do sofrimento, pois viver é sofrer e uma fuga dessa vida é a própria arte. A estética tem lugar especial na obra do filósofo. Seu livro terceiro da obra máxima supracitada começa assim:
Segunda consideração: A representação independente do princípio de razão - a Idéia platônica: o objeto da arte.
A partir no início do século XX a arte começou a tomar outros rumos até os dias de hoje onde a Bienal de São Paulo em 2008 foi apelidade de "a bienal do vazio". É claro que encontramos gente boa ainda nos meios da arte sejam elas quaisquer que forem. Nas artes plásticas a Beatriz Milhazes, Vik Muniz, Siron Franco, na literatura o Milton Hatoum, Miguel Sousa Tavares e mesmo com toda a salvação quando a Doutora em literatura comparada Beatriz Resende é perguntada sobre quando surgirá um GRANDE romance a resposta é bem simples: Um GRANDE romance; nunca mais.
O conceito, por mais útil que seja para a vida, e por mais usado, necessário e proveitoso que seja na ciência, é no entanto enternamente infrutífero para a arte. A verdadeira e única fonte de qualquer obra de arte é a Idéia apreendida. Esta, em sua originalidade vigorosa, é haurida apenas da vida mesma, da natureza, do mundo, pelo gênio autêntico ou por quem se entusiasma instanteneamente até a genialidade[...]
Por sua vez, imitadores, maneiristas, imitatores, servum pecus procedem na arte a partir do conceito.[...]
Entremente, tais obras maneiristas encontram com freqüência, e rapidamente, a aprovação sonora dos contemporâneos, pois estes, isto é, a grande maioria obtusa, só podem conceber conceitos e se apegam a eles. Contudo, após alguns anos, tais obras já são inapreciáveis, visto que o espírito da época, ou seja, os conceitos imperantes, nos quais elas se enraizam, mudaram. Apenas as obras autênticas eternamente joviais e com o vigor originário, pois não pertencem a idade alguma, mas à humanidade[...]
Esses indivíduos que aparecem sucessivamente estão por inteiro sozinhos, visto que a massa e a multidão da posteridade sempre será e premanecerá tão perversa e obtusa quanto a massa e a multidão de todos os tempos.
Arthur Schopenhauer - Livro II - capítulo 49 - O mundo como vontade e como representação
Encontramos no pensamento de Schopenhauer a afirmação de que quando nos deparamos com a obra de arte, esse é um momento de supressão do sofrimento, pois viver é sofrer e uma fuga dessa vida é a própria arte. A estética tem lugar especial na obra do filósofo. Seu livro terceiro da obra máxima supracitada começa assim:
Segunda consideração: A representação independente do princípio de razão - a Idéia platônica: o objeto da arte.
A partir no início do século XX a arte começou a tomar outros rumos até os dias de hoje onde a Bienal de São Paulo em 2008 foi apelidade de "a bienal do vazio". É claro que encontramos gente boa ainda nos meios da arte sejam elas quaisquer que forem. Nas artes plásticas a Beatriz Milhazes, Vik Muniz, Siron Franco, na literatura o Milton Hatoum, Miguel Sousa Tavares e mesmo com toda a salvação quando a Doutora em literatura comparada Beatriz Resende é perguntada sobre quando surgirá um GRANDE romance a resposta é bem simples: Um GRANDE romance; nunca mais.
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