sexta-feira, 18 de junho de 2010

Uma homenagem singela

Este é um ano de grandes perdas para o universo intelectual. Perdemos nomes e ficamos com as memórias dessas grandes personalidades. Morreu hoje nas Ilhas Canárias aos 87 anos de idade o escritor português José Saramago. Perdemos também recentemente ou pelo menos ainda neste ano José Midlin. A intelectualidade fica de luto hoje, pois alguns morrem para a vida e se eternizam para a posteridade. Descanse em paz Saramago, e aqui continuamos nós cegos buscando em que nos amparar.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O que é bonito Lenine?

O que é bonito
É o que persegue o infinito
Mas eu não sou
Eu não sou, não...
Eu gosto é do inacabado
O imperfeito, o estragado que dançou
O que dançou...
Eu quero mais erosão
Menos granito
Namorar o zero e o não
Escrever tudo o que desprezo
E desprezar tudo o que acredito
Eu não quero a gravação, não
Eu quero o grito
Que a gente vai, a gente vai
E fica a obra
Mas eu persigo o que falta
Não o que sobra
Eu quero tudo
Que dá e passa
Quero tudo que se despe
Se despede e despedaça

O que é bonito...

terça-feira, 23 de março de 2010

aulas de Inglês

There, there, I got tired of selling books, now I´m going to teach english, oh what adventure...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Amar dói muito

Amar dói muito,
entope as veias,
tira o ar,
paralisa o tempo.

Amar dói nas pernas e
nos braços, desconjunta
a individualidade e
tira a razão.

Amar é primeiro crer
no amor e no fim o
resto é o resto,
e eu faço aqui um
protesto contra o amor,
porque amar meu amigo,
amar dói muito.

Rubenso Ramalios

Poesia

Comigo me desavim
Sou posto em todo o perigo
Nao posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.

Com dor da gente fugia;
Antes que esta assi crecesse;
Agora já fugiria
De mim se de mim pudesse.
Que meo espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim.

Sá Miranda

Em meu ofício ou arte taciturna

Em meu ofício ou arte taciturna
Exercido na noite silenciosa
Quando somente a lua se enfurece
E os amantes jazem no leito
Com todas as suas mágoas nos braços,
Trabalho junto à luz que canta
Não por glória ou pão
Nem por pompa ou tráfico de encantos
Nos palcos de marfim
Mas pelo mínimo salário
De seu mais secreto coração.

Escrevo estas páginas de espuma
Não para o homem orgulhoso
Que se afasta da lua enfurecida
Nem para os mortos de alta estirpe
Com seus salmos e rouxinóis,
Mas para os amantes, seus braços
Que enlaçam as dores dos séculos,
Que não me pagam nem me elogiam
E ignoram meu ofício ou minha arte.

Dylan Thomas

terça-feira, 3 de março de 2009

Thinking aloud

I really get bored of my job, I gotta get a new one, What a bind!!!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

pensamento

As coisas dentro de mim falam
por si sós,
calam palavras e sobressaem-se no silêncio;
elas têm vida própria...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Correspondances

IV Correspondances

La Nature est un temple où de vivants piliers
Laissent parfois sortir de confuses paroles;
L'homme y passe à travers des forêts de symboles
Qui l'observent avec des regards familiers.

Comme de longs échos qui de loin se confondent
Dans une ténébreuse et profonde unité,
Vaste comme la nuit et comme la clarté,
Les parfums, les couleurs et les sons se répondent.

Il est des parfums frais comme des chairs d'enfants,
Doux comme les hautbois, verts comme les prairies,
- Et d'autres, corrompus, riches et triomphants,

Ayant l'expansion des choses infinies,
Comme l'ambre, le musc, le benjoin et l'encens,
Qui chantent les transports de l'esprit et des sens.


Charles Baudelaire - Les fleurs du mal.

domingo, 26 de outubro de 2008

Exposição de Marcel Duchamp no MAM de São Paulo




A exposição das "obras" do artista plástico francês Marcel Duchamp no MAM de São Paulo pareceu bem animada. Notem que muitas pessoas não sabiam o que faziam lá ou nem mesmo conheciam bem Duchamp. A primeira entrevistada diz que o interessante é que a maioria das obras é réplica. O entrevistador diz então: e se eu te der uma réplica de uma nota de 50 reais? aí ela responde: Ah, mas aí não é uma obra de arte! Isso é bem questionável, principalmente se tratando da exposição em pauta, pois o próprio Duchamp fazia cheques o os preenchia com valores e isso se tornou uma de suas obras de arte assinadas por ele. A segunda entrevistada quando é perguntada sobre o valor da "fonte" diz: Ah, milhões de dólares!! Nesse momento o apresentador brinca dizendo que passou em uma loja no dia e viu uma igual por 70 reais, então ela diz pra ele: Ah, mas não foi feita por ele!! Eu digo então: Nem a que está ali foi feita por ele e não é por se tratar de uma réplica, é porque a original também não foi. Mas aí caímos em um outro problema que é o seguinte raciocínio: Quando diz-se que algo não é uma obra de arte porque não foi feita por esse ou por aquele artista, pressupõe-se ulteriormente que, toda produção feita pelo artista tenha de ser necessariamente uma obra de arte, sendo que toda obra de arte tem de ser feita pelo artista, mas o contrário nem sempre é verdadeiro, mas antes de debater conceitos judicativos sobre a arte e até aonde ela vai continuemos nosso passeio. Quando o entrevistador define para uma entrevistado bem brabo o significado da exposição inteira em duas palavras e diz: Mona Lisa, é chamado de burro. Pois é, o que eles querem ver mesmo é roda de bicicleta em cima de banco!!! Estão precisando de um banho realmente de arte, só tomara que não queiram se banhar na "fonte"! Arte neles"!!!