segunda-feira, 21 de julho de 2008

Pensamentos

"Entre as cidades invisíveis há uma sobre palafitas, e os moradores observam do alto a própria ausência. Talvez, para compreender quem sou, eu tenha que observar um ponto no qual poderia estar, e não estou. Como um velho fotógrafo que faz pose diante da objetiva e depois corre para acionar o botão do disparador à distância, fotografando o ponto em que poderia estar, mas não está. Talvez esse seja o modo de os mortos olharem os vivos, misturando interesse e incompreensão. Mas isso eu só penso quando estou deprimido. Nos momentos de euforia, penso que aquele vazio que não ocupo pode ser preenchido por outro eu mesmo, que faz as coisas que eu deveria ter feito, e não soube fazer. Um eu mesmo que só pode brotar desse vazio."




Italo Calvino - trecho do livro: "As cidades invisíveis"

Pensamentos

Em um minuto apenas há tempo para decisões e revisões que um minuto revoga.

T.S. Eliot

Pensamentos

... e de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.
Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre.

Miguel sousa Tavares - Trecho do livro: "Não te deixarei morrer, David Crockett"

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Da arte contemporânea

A dita arte contemporânea - ou seja lá isso o que for - ainda continua produzindo ahhhh, hummm, ehhh, bem continuando o assunto hoje em uma escapadinha tive a chance de quase entrar no museu. Pensei duas vezes antes de entrar e .... continuei do lado de fora. Talvez tenha pensado demasiadamente. Se ainda tivessem expostas as gravuras do Rembrandt como em uma das vezes, mas novamente a grande arte contemporânea domina a cena. Como Schopenhauer dizia que as duas pontas extremas da vida são o sofrimento e do outro lado o tédio, decidi me manter no primeiro e dispensar o segundo. O primeiro me lembra um parágrafo do livro Shosha do Bashevis Singer onde mostra que desde o início do século XX nos mantemos apenas nos simulacros:

" Durante algum tempo, discutimos pintura - cubismo, futurismo, expressionismo. Celia visitara havia pouco uma exposição de arte moderna e ficara inteiramente decepcionada. De que maneira uma cabeça quadrada e um nariz como um trapézio podiam ser indicativos do homem e seus dilemas? O que podiam nos dizer cores que não tinham nem harmonia, nem base na realidade? Quanto à literatura, Celia havia lido Gottfried Benn, Trackl, Däubler, além de traduções de poetas modernos americanos e franceses. Todos a deixaram fria. "Ele só querem surpreender e chocar", disse. Mas a gente fica à prova de choque muito depressa."

Bienal do livro 2008

É isso aí rapazeada, falta praticamente um mês para a bienal do livro de 2008. Via de regra esse ano será em São Paulo no famoso Anhembi, já que a feira é intercalada entre o Rio e Sampa, sendo um ano em cada estado. Já estou preparando as malas, afinal serão 15 dias cansativos de evento. Ufffaaaa, só de pensar...mas essa é só uma parte.

domingo, 6 de julho de 2008

" El Che vive! ", também na Alemanha


Che Guevara, assassinado há 40 anos no interior da Bolívia, sobrevive no mundo todo como uma marca registrada da rebelião jovem, por mais que este ícone seja dissociado das verdadeiras causas do guerrilheiro argentino.

Em meados deste ano, uma disputa na Câmara Estadual da Renânia do Norte-Vestfália lembrou que Che Guevara – assassinado há exatamente 40 anos – ainda é visto como ameaça. É que um deputado democrata-cristão exigiu que se retirasse dos corredores da ala da Câmara reservada à bancada social-democrata um pôster do guerrilheiro argentino.


"Como os senhores sabem, Che Guevara lutava por uma revolução socialista", advertiu o deputado conservador Olaf Lehne, numa carta aberta aos social-democratas. Para ele, o retrato do revolucionário e "assassino em massa" contradiria o "livre espírito" da Câmara.

Che para as massas:

O pôster de Che – na famosa representação do artista irlandês Jim Fitzpatrick, com a conhecida frase Hasta la victoria siempre! – continua no corredor. Os deputados social-democratas descartaram a carta como reivindicação "ridícula", alegando apenas que Che é um "símbolo cult da juventude".
Essa anedota noticiada na época pelo diário tageszeitung mostra uma curiosa inversão: ao que parece, os conservadores levam a causa da luta armada mais a sério do que os sobreviventes da geração de 68.




Afinal, tanto para os social-democratas da Câmara renana quanto para consumidores do mundo inteiro, Che já virou há muito tempo uma marca praticamente dissociada da pessoa do guerrilheiro mártir, sitiado pelo exército boliviano numa escola do vilarejo de La Higuera, na Bolívia, e baleado a 9 de outubro de 1967.
Che de ponta-cabeça:

"Um símbolo pop da rebelião jovem", assim qualificou o porta-voz da Juventude Verde esse mito da esquerda revolucionária, cujo retrato a óleo, em vermelho e preto, está pendurado em sua sede federal, em Berlim. Mas o retrato está virado de cabeça para baixo. Isso mostra que os jovens verdes lidam com essa personagem de forma crítica, explicou o porta-voz à imprensa alemã.

Entre os ícones da esquerda revolucionária – Mao Tsé Tung, Fidel Castro e Che Guevara – talvez realmente este último seja o único a sobreviver. Mao, falecido aos 82 anos, e Fidel, adoecido, mas ainda no poder, talvez tenham vivido demais para se manterem ícones. Tudo o que fizeram em nome da revolução pôde ser apurado ao longo de sua trajetória, o que certamente confere um gosto amargo demais para uma marca registrada comercializável. Che morreu jovem, com muito a fazer, e por isso "vive".

Na Alemanha, Che Guevara era leitura obrigatória dos integrantes da Fração do Exército Vermelho (RAF). Mas talvez o fato de ter atuado na bem sucedida Revolução Cubana, na paisagem exótica do Congo e no jungle boliviano, ou seja, bem longe do continente europeu, contribua para a livre circulação de sua marca revolucionária. Um pôster com símbolo da RAF dificilmente estaria nos corredores de uma Câmara Estadual.
* Informações Site DeutscheWelle.

sábado, 5 de julho de 2008

Cotas SOCIAIS

COTAS SOCIAIS É SINAL DE BONS PRESSÁGIOS a aprovação do Projeto de Lei 546/2007 pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado. O projeto que garante 50% das vagas de instituições federais de educação profissional e tecnológica das universidades a estudantes que cursaram o ensino fundamental em escola pública mostra-se como uma medida justa diante da polêmica em torno do sistema de cotas no Brasil. Em contraponto às cotas raciais, que priorizam a cor da pele do estudante, o novo projeto beneficia aqueles menos favorecidos financeiramente que tenham, conseqüentemente, passado por desvantagens sociais. Uma política assertiva, sendo o Brasil um país composto em todas as suas classes sociais por origens étnicas distintas. A proposta, que ainda pode sofrer alterações na Câmara dos Deputados, tinha em seu texto original ­ da senadora Ideli Salvatti (PT-SC) ­ a reserva de vagas só para o ensino técnico e profissionalizante. Com a emenda do senador Marconi Perillo (PSDB-GO), foi estendida a todas as instituições federais de ensino superior e prevê a divisão das vagas seguindo a proporção de negros e indígenas do Estado em que a instituição estiver localizada. Trata-se de um caminho prometedor para a educação no Brasil. Diferentemente de políticas raciais, como a Lei de Cotas (PL 73/1999), que conduzem o país a um retrocesso em uma afronta ao princípio de igualdade da Constituição, as vagas reservadas a alunos da rede pública indicam mudanças virtuosas. Em 1993, segundo a senadora Ideli, cerca de 650 mil alunos completavam anualmente o ensino médio divididos meio a meio entre rede pública e privada. No ano passado, o número de alunos da rede privada foi de 320 mil enquanto o de escolas públicas subiu para 2,1 milhões. O intuito é contornar e modificar injustiças que vinham sendo perpetradas. É inadmissível que leis que carregam a bandeira de suprimir desequilíbrios estruturais dividam a nação e ampliem a desigualdade. Não se pode tentar reduzir preconceitos quando, na verdade, aprofundam-se desfiladeiros econômicos e sociais que separam negros, brancos e indígenas. Não se discute aqui a necessidade essencial de programas compensatórios para pagar a dívida social a herdeiros de um passado desvantajoso. Ainda que a Constituição de 1891 tenha cunhado a abolição do escravismo e não eliminado seqüelas de racismo, há problemas atuais de magnitude perturbadora. O preconceito de classe enraizado na sociedade brasileira é um exemplo. Medidas precisam sanar os profundos abismos entre ricos e pobres. A desigual distribuição de renda tem sido uma das principais mazelas do país. De nada adianta, portanto, insistir no equívoco de projetos que deixam o país retalhado, com brancos, negros, amarelos e índios cada vez mais segregados. Aceitar uma humanidade dividida em raças é um passo para admitir diferenças biológicas e chegar-se a convicções de superioridade. A proposta, como acertadamente observou o ministro da Educação, Fernando Haddad, "dilui a questão racial" ao estabelecer a distribuição proporcional pelo recorte da escola pública. Vem, ainda, a calhar no momento em que se prevê aumento do número de vagas em universidades federais ­ serão 229 mil em 2010, contra as 124 mil do ano de 2002, além de 25.105 novos cargos em instituições federais ensino superior. Contra o ciclo que marcou gerações de negros e pardos que permaneceram com menor acesso a escola e a melhores salários, convém paciência, tempo e trabalho árduo. Investimentos nos ensinos básico, fundamental e médio podem ser eficientes a longo prazo, ao criarem um país em que quaisquer cotas serão, um dia, dispensáveis. O intuito é contornar injustiças que vinham sendo perpetradas

JB - 05/07/08

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Pequenos trechos de grandes livros

Meu pai sempre dizia que o sofrimento melhora o homem, desenvolvendo seu espírito e aprimorando sua sensibilidade; ele dava a entender que quanto maior fosse a dor tanto ainda o sofrimento cumpria sua função mais nobre; ele parecia acreditar que a resistência de um homem era inesgotável.
Do meu lado, aprendi bem cedo que é difícil determinar onde acaba nossa resistência, e também muito cedo aprendi a ver nela o traço mais forte do homem; mas eu achava que, se da corda de um alaúde — esticada até o limite — se podia tirar uma nota afinadíssima (supondo-se que não fosse mais que um arranhado melancólico e estridente), ninguém contudo conseguiria extrair nota alguma se a mesma fosse distendida até o rompimento.

Raduan Nassar(Lavoura arcaica)

quarta-feira, 2 de julho de 2008


Então hoje é um grande dia. Mais tarde se dará o início do jogo do fluminense contra a LDU do Equador na disputa final da taça Libertadores da América 2.008. Estarei torcendo arduamente para o fluminense............ levar uma goleada de 6 X 0, hehehe. Viva a LDU e o mengão que é líder absoluto do campeonato brasileiro!!!